Última modificação a
Uma luxemburguesa empenhada na luta contra as alterações climáticas em Cabo Verde Um compromisso ao serviço do desenvolvimento sustentável
Períodos de seca cada vez mais frequentes, recursos hídricos limitados e uma maior exposição a fenómenos climáticos extremos fazem de Cabo Verde um dos países mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. Perante esta vulnerabilidade, e apesar dos desafios, o país prossegue com determinação a sua transição para um desenvolvimento mais resiliente e sustentável.
Por trás desta ambição encontram-se numerosos intervenientes nacionais e internacionais empenhados em apoiar este processo. Entre eles destaca-se a luxemburguesa Joelle Dahm, analista de programas nas áreas do clima e do ambiente nas Nações Unidas, cujo trabalho contribuiu para reforçar a capacidade do país para fazer face aos desafios climáticos, promovendo simultaneamente soluções concretas em benefício das comunidades.
Após vários anos de missão nas Nações Unidas em Cabo Verde, Joelle Dahm prepara-se para deixar o país, deixando para trás um contributo significativo nas áreas das alterações climáticas, da resiliência e do desenvolvimento sustentável.
Na qualidade de analista de programas especializada em clima e ambiente, trabalhou em estreita colaboração com instituições públicas, parceiros de desenvolvimento e agências das Nações Unidas, com o objetivo de reforçar a governação climática e apoiar a implementação de projetos estratégicos em Cabo Verde.
«A minha principal área de intervenção centrou-se no reforço da governação climática e da resiliência, com especial atenção à tradução dos compromissos climáticos internacionais em ações concretas a nível nacional e local», explica ela.
Reforçar a resiliência face aos desafios climáticos
Durante a sua missão, Joelle Dahm contribuiu para várias iniciativas relacionadas com a adaptação às alterações climáticas, a redução do risco de catástrofes, a economia azul e o financiamento climático.
O seu trabalho centrou-se, nomeadamente, no apoio à revisão da Contribuição Determinada a Nível Nacional (CDN/NDC 3.0), no desenvolvimento de propostas de projetos junto de fundos internacionais, como o Fundo Verde para o Clima (GCF) e o Fundo Global para o Ambiente (GEF), bem como na integração das questões climáticas em diferentes políticas setoriais.
Apoiou igualmente iniciativas nas áreas das energias renováveis, da gestão sustentável de resíduos e da proteção dos recursos naturais, com especial atenção às populações mais vulneráveis, nomeadamente as mulheres e os jovens.
Impactos concretos para as comunidades
Mesmo quando o trabalho se realiza a nível estratégico, os seus efeitos fazem-se sentir diretamente nas comunidades.
Entre os exemplos referidos destaca-se a melhoria do acesso à água e ao saneamento na ilha de Maio, graças a investimentos alinhados com as prioridades nacionais de adaptação às alterações climáticas.
As iniciativas relacionadas com a economia azul também contribuíram para promover práticas mais sustentáveis nas comunidades piscatórias, reforçando simultaneamente as cadeias de valor locais e os meios de subsistência.
Na sequência da tempestade Erin, em 2025, Joelle Dahm e a sua equipa deslocaram-se a Mindelo para apoiar as autoridades nacionais no processo de avaliação das necessidades pós-catástrofe (PDNA), contribuindo assim para integrar ainda mais a resiliência climática nos esforços de reconstrução.
«Políticas mais resilientes e melhor financiadas permitem orientar os investimentos públicos para serviços essenciais mais robustos, meios de subsistência mais sustentáveis e uma melhor proteção das populações face aos choques climáticos», sublinha ela.
Uma cooperação baseada na parceria
Para Joelle Dahm, esta experiência reflete também o compromisso do Luxemburgo com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a ação climática.
Ela sublinha a importância das parcerias estabelecidas com as instituições nacionais, a sociedade civil e as organizações locais, cuja experiência e proximidade com as comunidades permitem responder de forma concreta aos desafios do país.
«O programa JPO oferece uma excelente oportunidade para reforçar estes laços, promovendo um trabalho coletivo, em que os esforços dos diferentes parceiros são complementares e catalisadores», afirma ela.
Uma experiência marcada pela «morabeza»
Ao deixar Cabo Verde, Joelle Dahm fica com a memória tanto das aprendizagens profissionais como da riqueza humana desta experiência.
Para Joelle, «Para além do aspeto profissional, levo também comigo o espírito da “morabeza”, esta cultura de acolhimento, respeito e solidariedade, que marca profundamente Cabo Verde e que influencia de forma muito positiva a maneira de construir parcerias duradouras».
No final desta missão, o empenho de Joelle Dahm foi também oficialmente reconhecido: recebeu o «Certificado de Reconhecimento Especial» do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Reservada aos membros do pessoal que se distinguiram particularmente, esta distinção vem reconhecer desempenhos excecionais e contribuições marcantes para a missão global do PNUD em prol do desenvolvimento sustentável. Todas estas contribuições permanecerão, muito depois da sua partida, ao serviço de um Cabo Verde mais bem preparado para enfrentar os desafios climáticos do futuro.