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Parceria entre Luxemburgo e Cabo Verde reforça competências e resiliência do setor financeiro nacional
A cooperação entre o Luxemburgo e Cabo Verde tem vindo a desempenhar um papel determinante no reforço das capacidades do setor financeiro nacional, através de um programa estruturado de formação e desenvolvimento de competências.
Esta colaboração é implementada pela ATTF (Agence de Transfert de Technologie Financière) e pela House of Training — entidade luxemburguesa especializada na capacitação técnica de profissionais do setor financeiro a nível internacional — em estreita parceria com o Banco de Cabo Verde.
Uma parceria estruturante desde 2002
Desde o início desta cooperação, em 2002, já foram realizadas 117 ações de formação, envolvendo cerca de 2.890 profissionais cabo-verdianos, tanto em formato presencial na Praia como online.
Este investimento contínuo tem contribuído para o fortalecimento das competências técnicas e institucionais, respondendo às necessidades específicas de um setor financeiro em constante evolução.
Para o formador Henrique Domínguez, que ministrou a formação sobre combate à lavagem de capitais e financiamento do terrorismo neste mês de abril, “esta parceria entre a ATTF/House of Training e o Banco de Cabo Verde possibilita formações de grande relevância para o setor financeiro, promovendo um debate amplo sobre temas essenciais e a troca de experiências.”
Objetivos claros para um setor mais robusto
A parceria com o Banco de Cabo Verde tem como principal objetivo reforçar a resiliência, a integridade e a capacidade de supervisão do sistema financeiro cabo-verdiano.
Num contexto económico caracterizado por elevada exposição a choques externos, o programa aposta no desenvolvimento de competências em áreas estratégicas como:
- supervisão baseada no risco,
- conformidade com normas internacionais (AML/CFT e IFRS),
- gestão de riscos financeiros,
- digitalização e inovação,
- e riscos financeiros associados às mudanças climáticas.
Ao alinhar as formações com padrões internacionais e reformas em curso, esta cooperação contribui para um sistema financeiro mais moderno, transparente e preparado para enfrentar desafios globais, adaptando-se às realidades locais.
Como sublinha Domínguez, “Cabo Verde dispõe de um quadro legal robusto e alinhado com as recomendações internacionais; o principal desafio passa pela sua plena implementação no setor. No caso das instituições de micro-finanças, que enfrentam maiores limitações de recursos humanos e de auditoria, é importante reforçar o apoio através de formações específicas.”
Impacto concreto no setor financeiro
Os ganhos desta parceria são visíveis no fortalecimento do sistema financeiro cabo-verdiano, que tem demonstrado níveis sólidos de capitalização, liquidez e eficiência.
A capacitação contínua de profissionais tem permitido:
- melhorar a qualidade da supervisão e regulação,
- reforçar a governação e a transparência institucional,
- desenvolver melhores práticas de gestão de risco,
- e aumentar a credibilidade do sistema financeiro junto de parceiros internacionais.
Este progresso é particularmente relevante num contexto de crescente exigência regulatória e de transformação digital do setor.
“É uma enorme satisfação regressar a Cabo Verde e encontrar um sistema financeiro cada vez mais robusto e profissionais mais preparados. É gratificante saber que contribuímos para esse progresso. Desta vez, não venho apenas ensinar — também aprendo, observo e levo connosco experiências que podem ser úteis noutros contextos”, acrescenta Henrique Domínguez.
Cabo Verde como parceiro prioritário
Cabo Verde é considerado um país prioritário para a cooperação luxemburguesa, beneficiando de um programa reforçado de atividades e financiamento.
Este estatuto reflete a confiança mútua construída ao longo de mais de duas décadas, bem como o reconhecimento do impacto positivo desta parceria no desenvolvimento institucional e económico do país.
Em 2026, a Embaixada do Luxemburgo em Cabo Verde já marcou presença na cerimónia de conclusão de duas formações, dedicadas às normas internacionais de informação financeira (IFRS) e ao combate e prevenção da lavagem de capitais e do financiamento do terrorismo, sublinhando a importância desta cooperação para ambos os países.